Na volta ao trabalho presencial total ou híbrido, é preciso avaliar o mercado imobiliário e considerar a opção das salas compartilhadas

A crise sanitária causada pelo novo coronavírus pegou o mundo – e as empresas – de surpresa. Durante a pandemia, muitas fecharam as portas, mandaram seus funcionários para casa e adotaram, de uma hora para outra, um regime forçado de home office. Depois de um longo tempo em casa, à medida que a campanha de vacinação avança, as medidas de isolamento são flexibilizadas e a economia volta a girar, é preciso pensar logo em como reacomodar as equipes e retomar as atividades a pleno vapor na pós-pandemia.

É hora de sair de casa e na esperada volta ao escritório, empresários, empreendedores e gestores de negócios estão de olho nas tendências do mercado imobiliário em 2021 para se decidir sobre compra, aluguel de sala comercial ou salas compartilhadas. Mas como avaliar as oportunidades do mercado imobiliário na pós-pandemia? Como tomar uma decisão mais criteriosa num momento ainda de incertezas, especialmente em meio às variantes do coronavírus e o risco de novas epidemias?

Como o mercado imobiliário reage na pandemia?

Dados apontam que o mercado imobiliário, que já dava sinais de recuperação em 2019, após a forte crise entre 2015 e 2017, tinha boas perspectivas para 2020. A crise prejudicou a economia como um todo e desacelerou alguns setores que deveriam apresentar alta. O número de propriedades vendidas reduziu em 1,2% nos primeiros três meses de 2020, em relação ao trimestre anterior. A construção civil teve queda de 2,4%.

Mas, contrariando as expectativas, o setor imobiliário acabou demonstrando sua resiliência em meio às transformações impostas pela pandemia. A partir do segundo trimestre de 2020, os números começaram a melhorar. Na cidade de São Paulo, foram 161 alvarás para novas obras, aumento de 13,4% em relação ao mesmo período de 2019. AAssociação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontou crescimento de 57,5% nos valores financiados em 2020, em comparação com o ano anterior.

A alta disponibilidade de crédito foi um dos motivos para que os consumidores buscassem um imóvel para compra durante a pandemia. Juros baixos facilitaram o lançamento de empreendimentos, atraindo compradores e investidores. A aquisição de imóveis ou de fundos imobiliários tornou-se uma opção com melhor rendimento e segurança do que outras modalidades de aplicação financeira. Esse cenário favorável é creditado à redução da taxa Selic, considerada a taxa básica de juros do Brasil, controlada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Com a Selic a 2% ao ano, o mercado imobiliário aparece como boa opção para aplicar o dinheiro, por ser um setor sem riscos, já que depois o imóvel pode ser vendido e gerar lucro. Por outro lado, novos lançamentos imobiliários vêm sendo feitos em diversas cidades do Brasil. Um estímulo e tanto para o setor, principalmente para quem sonha com a casa própria.

Alta taxa de desocupação de salas comerciais

Se a procura por imóveis residenciais – seja para morar, seja para investir – manteve a tendência de crescimento ao longo de 2020 e nos primeiros meses de 2021, o mesmo não aconteceu com o mercado de imóveis comerciais, que está demorando mais para reaquecer, mesmo com a queda nos preços de venda e de locação.

Em dezembro e janeiro deste ano, o preço do aluguel de salas e conjuntos comerciais atingiu R$ 37 o metro quadrado, o menor patamar na pesquisa FipeZap. O valor é 25% menor do que o registrado em fevereiro de 2014, quando o aluguel custava R$ 49,10  por metro quadrado – o preço mais caro da série histórica da pesquisa.O aumento da oferta e a queda da demanda nos últimos anos influenciaram o resultado.

De acordo com o Secovi-SP, houve uma retração natural da demanda, por conta da crise prolongada, gerando uma redução de 60% a 70% da atividade de novos negócios. A queda é reflexo da dificuldade dos inquilinos comerciais de continuar pagando aluguéis em meio às restrições de funcionamento com as medidas de prevenção ao coronavírus.

Se antes da pandemia, o percentual de imóveis vagos no Estado de São Paulo era de 18%, segundo a Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), em dezembro do ano passado a vacância chegou a 38% da carteira das associadas. Neste cenário, proprietários de imóveis desocupados reduzem o preço do aluguel para conseguir ocupar os espaços, já que imóvel vazio gera despesas com impostos e manutenção.

Enquanto o processo de compra de um imóvel exige mais tempo e reflexão, o mercado de salas comerciais para locação em São Paulo apresenta uma leve alta de 1.54% em abril de 2021, segundo o  Índice FipeZap Comercial. Entre todas as 10 cidades monitoradas, São Paulo se destacou com o maior valor médio tanto para venda de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² (R$ 9.632/m2), quanto para locação de imóveis do mesmo segmento (R$ 44,36/m2).

Salas comerciais vazias e coworking em alta

Apesar da discreta recuperação na procura, alavancada pelo crescente movimento de volta ao trabalho presencial, a taxa de desocupação de salas comerciais se mantém elevada em grandes centros de negócios de São Paulo, como as regiões da Paulista e da Faria Lima. Enquanto isso, a adesão de empresas aos espaços de coworking aumenta com a tendência corporativa do modelo de trabalho híbrido, que alterna dias entre home office e em escritórios, somada à alta flexibilidade e infraestrutura completa dos coworkings.

O fenômeno é sentido também no Club Coworking, que dispõe de excelentes espaços compartilhados nos dois endereços mais nobres do centro nervoso de São Paulo. “A gente percebeu que durante a pandemia essas empresas se viram em contratos inflexíveis de aluguel tradicional (salas comerciais), com cobranças de multas. Então, elas procuraram nosso coworking porque aqui conseguem ter mais flexibilidade: podem começar com 10 posições de trabalho e depois migrar para 20”, explicou a diretora de Operações e Novos Negócios do Club Coworking, Patrícia Coelho, em entrevista recente à TV Globo.

O Club Coworking tem dois endereços em locais nobres de São Paulo. Uma unidade está localizada na tradicional Avenida Paulista, conhecida como “a cara de São Paulo”, tradicional reduto de bancos e escritórios, que liga o Paraíso à Consolação. A segunda unidade do Club Coworking fica na Faria Lima, que segundo economistas, a região da avenida e o entorno, abrigam empresas que representam 1% do PIB nacional.